Não existe percentual fixo. O selo Procel não promete economia em reais; ele marca os modelos mais eficientes de cada categoria. Quem decide é o consumo em kWh por mês que está na etiqueta do Inmetro. Você pega esse número nos dois modelos, subtrai e multiplica pela sua tarifa.
O selo Procel é a mesma coisa que a etiqueta do Inmetro?
Não. A etiqueta do Inmetro, chamada ENCE, vem em todo aparelho da categoria, classifica a eficiência por letras a partir do A e traz o consumo em kWh por mês. O selo Procel é um reconhecimento separado, dado aos modelos mais eficientes de cada categoria no ano.
A ENCE é aquela tarjinha colorida com a escala de letras, a que você vê colada na porta da geladeira na loja. Todo mundo dentro do programa recebe uma, inclusive os aparelhos que gastam muito.
O selo Procel é diferente: ele é uma premiação anual, e só uma parte dos modelos leva. Na prática, quase todo produto com selo Procel está no topo da escala de letras, mas nem todo aparelho classe A tem o selo.
Para quem está comprando, isso significa uma coisa só. O selo é um atalho para encontrar os candidatos, e não a resposta final. A resposta está nos números pequenos da etiqueta.
Qual número da etiqueta decide a economia?
O consumo em kWh por mês, comparado entre modelos da mesma categoria e capacidade. A letra serve para achar os candidatos rápido; o kWh é o que vira dinheiro na conta. Dois modelos podem carregar a mesma letra e ainda assim ter consumo diferente, e é aí que a escolha se decide.
Esse número aparece na etiqueta como consumo de energia em kWh/mês, medido em condições padronizadas de ensaio. Ele não é a sua conta de luz: é um valor de laboratório que serve para comparar aparelho com aparelho.
Na sua casa o consumo real muda com a porta que abre vinte vezes por dia, com a temperatura da cozinha, com o quanto você enche a geladeira. A comparação continua valendo, porque o erro vai para os dois lados.
Como calcular quanto você economiza por ano?
Pegue o kWh por mês dos dois modelos, subtraia um do outro, multiplique pela tarifa da sua distribuidora e depois por 12. O resultado é a economia anual em reais. Compare com a diferença de preço entre eles e você descobre em quantos anos o mais econômico se paga.
- Separe dois modelos com a mesma capacidade, porque comparar geladeira de 300 litros com uma de 500 não diz nada.
- Ache na etiqueta de cada um o consumo em kWh por mês.
- Subtraia o menor do maior para achar a diferença mensal em kWh.
- Pegue o valor do kWh na sua conta de luz, já com impostos, e não o valor da tarifa base divulgado pela distribuidora.
- Multiplique a diferença de kWh pela tarifa: esse é o quanto você economiza por mês.
- Multiplique por 12 e depois pelos anos que pretende usar o aparelho.
- Compare o total com a diferença de preço entre os dois modelos.
Sobre a tarifa, use uma faixa se não quiser procurar a fatura: a conta residencial no Brasil costuma ficar entre R$ 0,70 e R$ 1,00 por kWh, dependendo da distribuidora e da bandeira do mês. Nas contas deste texto eu uso R$ 0,85, que fica no meio.
Quanto muda na conta entre dois modelos parecidos?
Menos do que a propaganda sugere em aparelho pequeno, e mais do que você imagina em geladeira, que fica ligada 24 horas. Duas geladeiras de 400 litros, uma com 40 e outra com 55 kWh por mês, separam 15 kWh mensais. A R$ 0,85 o kWh, isso dá R$ 12,75 por mês.
| Passo da conta | Número |
|---|---|
| Consumo do modelo mais econômico | 40 kWh por mês |
| Consumo do outro modelo | 55 kWh por mês |
| Diferença mensal | 15 kWh |
| Tarifa usada no exemplo | R$ 0,85 por kWh |
| Diferença por mês | R$ 12,75 |
| Diferença em 12 meses | R$ 153,00 |
| Diferença em 10 anos de uso | R$ 1.530,00 |
Os valores de consumo do exemplo são de etiqueta e mudam de modelo para modelo. A ideia aqui é a mecânica da conta, não os números em si: troque pelos dois aparelhos que você está comparando e refaça.
Repare no que a última linha diz. Geladeira é o eletrodoméstico que mais justifica pagar a mais por eficiência, porque ela nunca desliga e costuma ficar dez anos na cozinha. O mesmo raciocínio vale ao decidir de quantos litros a sua geladeira precisa, já que capacidade maior também pesa no consumo.
Em máquina de lavar a conta é outra, porque o gasto depende do número de ciclos por semana e boa parte da energia vai para aquecer água em modelos que aquecem. Quem lava duas vezes por semana demora muito mais para recuperar a diferença de preço, e a escolha acaba caindo em quantos quilos de roupa a máquina precisa dar conta.
O que a letra A não garante?
Que o aparelho gasta pouco em números absolutos. A letra compara só dentro da mesma categoria e faixa de capacidade, então um ar-condicionado A de 18.000 BTUs consome mais que um B de 9.000. As escalas também foram revisadas ao longo do tempo, e um A de hoje é mais exigente que um A antigo.
É por isso que dimensionar vem antes de comparar etiqueta. Não adianta caçar o split classe A mais eficiente se você errou a capacidade, e a conta de quantos BTUs o quarto pede decide bem mais no fim do mês do que a letra.
Vale pagar mais caro por um modelo mais eficiente?
Depende de quanto é mais caro e de quantas horas o aparelho fica ligado. Em geladeira e ar-condicionado de uso diário, pagar de R$ 200 a R$ 300 a mais por 15 kWh de diferença se paga em um ou dois anos. Em aparelho de uso ocasional, a conta não fecha.
A regra prática: se o payback der até três anos, a economia é real e você ainda fica com um aparelho que tende a ser melhor construído. Passando de cinco anos, o dinheiro extra rende mais em qualquer outro lugar.
Cuidado com um detalhe que aparece na hora da compra. Modelo eficiente costuma estar na parte de cima da linha, junto com recursos que você talvez não use, e aí a diferença de preço não é só eficiência. Separe o que você está pagando por consumo e o que está pagando por inox e display.
Quando a conta fecha nos dois lados, o que sobra é escolher entre os modelos que passam nesse filtro, e os melhores ar-condicionados de 2026 já trazem a classe de cada um na ficha. Para ver o que está com desconto hoje, o feed de eletrodomésticos em promoção lista os modelos com o preço do momento.
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Perguntas frequentes
O selo Procel A economiza quanto na conta de luz?
Depende do aparelho e da comparação. O selo não promete percentual: quem mostra a economia é o consumo em kWh por mês da etiqueta. Entre duas geladeiras iguais com 15 kWh de diferença, dá em torno de R$ 150 por ano.
Qual a diferença entre o selo Procel e a etiqueta do Inmetro?
A etiqueta do Inmetro, a ENCE, vem em todo aparelho da categoria e classifica a eficiência por letras, com o consumo em kWh por mês. O selo Procel é um reconhecimento separado, dado aos modelos mais eficientes da categoria.
Como calcular a economia de energia de um eletrodoméstico?
Subtraia o consumo em kWh por mês de um modelo do outro, multiplique a diferença pela tarifa da sua distribuidora e depois por 12. O resultado é quanto você economiza em um ano.
Um aparelho classe A sempre gasta pouco?
Não. A letra compara apenas aparelhos da mesma categoria e faixa de capacidade. Um ar-condicionado classe A de 18.000 BTUs consome mais energia que um classe B de 9.000 BTUs.
Quanto custa o kWh no Brasil?
Varia bastante por distribuidora e por bandeira tarifária. Para fazer contas de comparação, a faixa de R$ 0,70 a R$ 1,00 por kWh costuma servir, mas o valor exato está na sua fatura.
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